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ARTE DE RUA: MITOS E CONFLITOS – pequena contribuição ao tema

 

1. Osgemeos - O NE mítico

1. Osgemeos – O NE mítico

Há muitos anos que convivemos com escrituras pelas cidades. São Paulo é uma dessas cidades que, a cada dia, fornece mais e novas imagens, cores, escrituras ilegíveis e grande diversidade de grafismos que causam surpresa todos os dias. Estas manifestações, no entanto, não apareceram no mundo com o Movimento Hip Hop, mas estão presentes desde as origens das formações sociais, como confirmam as inscrições rupestres na França (Lascaux), na Espanha (Altamira), e no magnífico sítio da Serra da Capivara no Piauí, descoberto recentemente. Muitos outros sítios arqueológicos provam essa vocação humana.

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CEMITÉRIOS: ORIGEM DA CIVILIZAÇÃO HUMANA

 

1. Cemitério São Paulo - Foto: Gláucia Pimentel

1. Cemitério São Paulo – Foto: Gláucia Pimentel

Mortos. Todos mortos. Sabemos que estaremos todos mortos, um dia. Mas odiamos pensar sobre isso. Fingimos não existir a morte para não ter de lidar com ela. Planos, jogos, desafios, busca por riqueza pessoal, tudo nega a morte, tenta ignorá-la. E isto é novo. Historicamente, isto é muito recente; com menos de setenta anos. Um cílio no relógio do tempo. Até a II Grande Guerra a morte era uma presença nas decisões humanas – desde as públicas às particulares, passando pelas Artes, as Ciências, e claro, totalmente fundamentada nas Religiões e Filosofias. Leia mais…

SURREALISMO: A SUBVERSÃO DO SELF

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  1. Magritte – La reprodution interdit – 1937

 

Toda dor leva ao abismo. Viver é um caminho assustador, tropeçando em realizações, pesadelos, humilhações, gargalhadas, abusos ….. o desconhecido. Dar nome à dor é se furtar ao abismo da existência. Dar forma ao monstro é apaziguá-lo, é negociar com ele um topos, uma classificação, uma domesticação. Por isso o Surrealismo é uma via certa de circular do pânico ao sonho, e do horror ao combate.  E que não se confunda o não-compreendido com o não-existente, ou não saberíamos dos belos e loucos fractais. Daí o Surrealismo ser um jogo de abismos que reflete a vida, dela extraindo seu patético, seu exótico, seu absurdo, seu impacto maior.

2. Dali passeando um tamanduá (brasileiro?) em Paris - 1960

2. Dali passeando um tamanduá (brasileiro?) em Paris – 1960

 

O Surrealismo guarda forte identificação com ideais libertários, abraçando infinitas contradições. Viver sem a calma da explicação é aceitar viver em suspenso. Sem certezas que não passam de hipóteses teóricas agarradas por cansaço ou covardia. Nossa histeria por alegrias e certezas falseia os selfies aborrecidos de tantos faces, tantos instagrans, tantas outras vias de auto-enganação. Construir ilusões sobre ilusões… sobre ilusões…. pode nos levar às nuvens da melancolia, num inventário de agonia. Leia mais…

A CONSTRUÇÃO DO OLHAR NACIONAL

 

1. Manifestações em 2016 - s/autor - Net

1. Manifestações em 2016 – s/autor – Net

Somos demasiadamente estranhos. Muito gentis, sorridentes e solícitos, ao mesmo tempo que violentamente letais, grosseiros e vulgares. Recentemente nas Olimpíadas, as opiniões dos estrangeiros sobre o povo brasileiro, oscilou de uma visão folclorizada de índios latinos ou milionários excêntricos, para a percepção de um povo entre o caloroso e o rude. Teremos uma verdadeira face, ou somos o misto de nossas frustrações e aspirações? O “Homem Cordial” (de corde – coração) definido por Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil teorizava a partir da constatação de sermos uma nação dada às explosões emocionais – impetuosos, solidários e sanguíneos – ou seja, imprevisíveis.

Não é de hoje. Em passeio pela COLEÇÃO BRASILIANA ITAÚ reunida por Olavo Setubal, mentor e realizador do Centro Cultural Itaú, vemos nosso olhar sendo construído ao longo dos últimos quatrocentos e poucos anos por estrangeiros, e mais recentemente, por nós mesmos, contra e à favor, mas sempre em relação. Fizemos de nós, o que vimos nos espelhos dos olhos que achávamos reconhecer como padrão civilizatório. Desconhecidos senhores de arbitrários conhecimentos, desenhistas, pintores, gravuristas, maravilharam-se com o impacto dos “absurdos do Novo Mundo”. E somos parte desse mundo inventado por seus preconceitos e delírios. Fomos construídos pelos olhos dos Outros. Ainda hoje, sermos considerados “criativos”, “safos”, “alegres”, “simpáticos”, “belos”, “sensuais” etc,  não passa do desejo profundo de auto-aprovação. Uma história que tentamos nos recontar à exaustão.

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2-Dzi-Croquetes anos 70-s/autoria-Net

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BLANCHE na versão de ANTUNES FILHO

Tennessee Williams, dramaturgo estadunidense escreveu uma peça em 1947 ambientada na sufocante New Orleans, cidade sulista onde culturas tão díspares convivem sob pressão em bases afrancesadas. Com traços da religiosidade vudu haitiana com seu imperativo de mistério e perigo, mistura-se a uma sociedade operária em formação, numa região pobre e pouco industrializada do EUA durante a II Guerra Mundial, onde dificuldades de sobrevivência tornam instáveis os humores na incerteza pela sobrevivência.

Recém chegada

Recém chegada –  Foto: Evelson de Freitas

São tempos difíceis, cheios de instabilidade e carência, que dá pano de fundo a um jovem casal, recém casado, que recebe, inesperadamente, a irmã que vivia numa fazenda perdida para a crise financeira do país. Blanche é essa personagem, irmã de Stella, casada com Stanley, um operário de ascendência polonesa, tosco e brutal, que dão abrigo a essa moça visivelmente infeliz, fracassada, desconfiada e humilhada pela vida. Com formação sofisticada e aristocrática, Blanche maldiz seu destino, mas não abandona a visão hierárquica que tem do mundo, desprezando Stanley e alertando Stella sua malfadada escolha. No ar a arrogância de Blanche, sua fragilidade e dependência contrastam com a falta de traquejo em lidar com uma situação criada por ela mesma e os ânimos se conflitam.

Blanche não é linear, nem transparente, nem óbvia. Ela carrega conflitos de classe social, das conseqüências de perdas de patrimônio, e ainda Blanche é vitima de seu próprio isolamento pessoal, afetivo e sexual. Figura sem definição rasa oscila entre a repulsa e a compaixão. Vitimiza e se vitimiza num universo que debate o luxo e o lixo, o Eros e o Thanatos, o sagrado e o grotesco.   Leia mais…

PERFORMANCE: A LINGUAGEM INVISÍVEL

 

IVALDO GRANATO

IVALDO GRANATO

Quando pensamos em História da Arte, ainda ouço professores que se atém na sequencia de Escolas ou de Criadores, esvaziando as bases históricas de determinado movimento, criação ou regra criada, quebrada ou proposta.

Além da pobreza desse personalismo seletivo, onde anônimos fundamentais são ignorados, e onde grandes criadores não-partícipes do quadro de poder eleito pela historiografia oficial, passam a fazer suas eleições excluindo intencionalmente, todos os que não eram egressos do clubinho “Branco, Masculino, Hétero e Europeu”, adotado como tal ou europeizado. Assim, mulheres, índios, outras etnias, outras orientações sexuais explicitadas, foram sendo esmaecidas, apagadas, ou sendo relidas como meros coadjuvantes nos grandes marcos do panorama da história da humanidade – Ocidental ou não. Podemos citar algumas mulheres resgatadas do ostracismo como Camille Claudel (artista sensível e frágil, tida como mera amante e serviçal nos trabalhos do escultor Auguste Rodin, que enlouqueceu desacreditada e alijada) e Frida Kahlo, que tendo vivido à sombra do famoso Diego Rivera, morta em 1954, foi resgatada pela crítica e mercado há não mais quinze anos.

Não bastasse o cânone mesquinho e falacioso, ainda ignoram as pesquisas fascinantes que outras linguagens de Artes seguem ousando como a PERFORMANCE e o VÍDEO.

Por total falta de interesse ou de imersão no campo das artes, percebo que professores de História das Artes ignoram ou confundem essas linguagens, supondo-as anexas ou desdobradas de outras linguagens e técnicas de domínio comum. Na verdade essas linguagens deixaram de pertencer a um campo de ação único e clássico, confundindo leituras desavisadas.

ESTER FERRER

ESTER FERRER no Festival de Música de Alicante em 2012

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PROVOCAÇÕES – Desejo e Pecado em exposição na galeria!

1. Lustre - Rau de Nieves - mexicano

1. Lustre – Rau de Nieves – mexicano

Envoltos pelo desejo somos impulsionados pela visão das provocações. Freud percebeu que somos seres divididos pelas pulsões: do Amor e de Morte. Eros e Thanatos. Animais, nos civilizamos, mas o esforço é inglório. Bem que tentamos, mas tudo nos provoca, tudo conecta, tudo lembra …. e disfarçamos. A visão hipnotiza, liga, associa e os excessos nos levam aos desejos excessivos, luxuriantes, brilhantes, borbulhantes. A contenção é fundamental, o verniz civilizatório é fundamental.  mas o preço é sempre alto.

Um dos maiores freudianos, Herbert Marcuse em Eros e Civilização, comenta a importância dos interditos. Se tudo fosse permitido – transar quando se quer, da maneira que se quiser, matar também estaria com amarras soltas. Seríamos uma espécie em extinção logo no nascedouro, há trinta e cinco mil anos atrás, quando começamos a descer das árvores. Para um convívio o pacto seria fundamental: sexo com regras, morte com regras. Mas ambos continuam sendo ansiados. A Civilização impediu nossa extinção, mas é só verniz!  Ânsia pelo prazer e ânsia por destruir desafetos, seguem na pauta dos dias. De cada um de nossos dias.  Leia mais…

PAPEL DA CURADORIA NO MERCADO ATUAL

Basquiat - Músicos - 1981

Basquiat – Músicos – 1981

Para Fernando Pessoa a Arte é expressão pessoal independentemente do que seja. Mas essa é uma imagem bem moderna, onde a busca da autoria e da originalidade são imperativas. Mas a ideia de que a arte seja uma leitura perturbadora do senso comum faz mais sentido no tempo atual. Algo que estava adormecido no cotidiano amesquinhado por um conforto manipulado salta aos olhos em deslocamentos criativos. Arte se torna uma indagação muda – um incômodo. Por isso é uma ação de cultura, não mais uma exclusividade da estética. Ela não lida mais, necessariamente, com o belo, com o gosto, com o prazer, mas com a filosofia e a política – no sentido em que nos relacionamos com a Pólis e suas intervenções são provocações ao Outro – ao público, portanto, um diálogo político, exposto à Pólis. A arte propõe debates.

Chihiro Shimotami - Impresso sobre Rocha - 1973

Chihiro Shimotami – Impresso sobre Rocha – 1973

Ultimamente Arte Contemporânea anda distante do mundo cotidiano, numa contradição lamentável.  As pessoas que visitam grandes eventos de Arte Contemporânea costumam sair desenxavidas, aturdidas, decepcionadas e não raro, até ofendidas, comentando: “Meu filho é capaz de fazer igual a isto”.  Mas Arte Contemporânea, no entanto, já fez parte de um movimento pulsante, desafiador e cheio de gozo em suas propostas e cumplicidades com o público. Estou falando, é sabido, dos anos sessenta e setenta do século XX com o movimento neoconcreto no Rio de Janeiro que propunha interações com a obra em propostas sensoriais de impacto para um público que, até então, via arte com reverência e distância. Os corpos passaram a interagir, requisitados para inovadoras vivências olfativas, cinéticas e até eróticas. As exposições, como festas, começam a marcar o cotidiano das grandes cidades onde exposições cada vez mais espetaculares, transformam comportados museus em eventos pop disputados. Leia mais…

REVER – Retrospectiva de Augusto de Campos

Viva Vaia 1972

VIVA VAIA  1972

REVƎЯ é a exposição montada no SESC POMPÉIA para apresentar 75 obras do poeta Augusto de Campos, a partir de seus 65 anos de produção. Tornado famoso a partir de um confronto estético proposto pelo manifesto em defesa de uma Poesia Concreta construiu um movimento junto a seu irmão Haroldo de Campos e o amigo Décio Pignatari provocando uma sacudida na mídia desde os anos 1950.

Associando uma visão poética carregada de visão política e inquietação estética, os irmãos Campos e Pignatari partem para dessacralizar as lânguidas construções parnasianas que ainda vingavam no ápice do fazer poético, longe da velocidade acelerada da cidade industrial, colorida e variável que já não aceitava rimas doces e versos ingênuos.  Augusto ousa recriar o tempo e o espaço na palavra de poder como a dizer: A PALAVRA FAZ O MUNDO, espelhando o Gênesis na visão grega do Logos em confronto com o Caos.

DES HUMANOS 2004

DES HUMANOS 2004

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REPÚBLICA DO ESTUPRO

Homens Feministas

Homens Feministas explicam: Feminismo ainda é necessário porque tem gente (?) que acha graça em estuprar os outros

A menina foi estuprada e, por ter ido parar nas redes sociais, virou escândalo nacional e mundial. Assim mesmo, muitos homens já duvidaram da palavra dela até agora, mesmo com toda a pressão da sociedade civil em geral, e dos grupos organizados contra a violência da mulher e outros grupos pelos direitos da mulher, além da imprensa em geral. Todos seguindo a Cartilha do bomocismo, nem sempre por convicção. O primeiro delegado a escutá-la, especializado em crimes de web, duvidou da menina e nem sentiu a pressão geral, convencido de estar tratando com uma garota safadinha que não afetaria sua imagem. Calculou errado. Saiu tosqueado.  Os alertas estão no vermelho. Agora nove delegacias especializadas estão correndo atrás do prejuízo da imagem da polícia carioca. A gangue que estuprou a garota, aparentemente traficantes, pela descrição das armas que a menina contou, já deve estar na Bahia tomando água de coco, esperando a poeira baixar. Leia mais…

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