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BEIJO GAY DA FERNANDONA

Beijo Fernanda Montenegro
Beijo Fernanda Montenegro

Beijo Fernanda Montenegro

Semana passada fui ao médico. Na sala de espera, duas funcionária conversavam. Uma delas levantou a voz quando comentou, revoltada, o beijo gay da novela: “Como uma pessoa como ela, tão importante, se presta a um papel tão baixo como esse?”. A outra concordava sem falar. Não me contive: “Vc fala como se a Fernandona tivesse sido obrigada a fazer um trabalho inferior aceitando esse papel, mas me parece o oposto, ele aceitou o papel porque SABE da importância de sua imagem na sociedade, e QUERIA chocar para que falassem sobre isso, já que casais gays são legais, portanto deveriam ser considerados normais”.

Ela não se conformava. “Foi uma vergonha, uma pouca vergonha uma cena dessa entrar na casa da gente, com crianças…. isso é uma vergonha! Mas isso só aconteceu porque o dono da Globo deve ser homossexual também! E por causa disso a Record vai passar a Globo!”….

No meu canto não conseguia me calar: “O que a Fernandona fez foi só ilustrar o que a Lei já considera ético e moral, e só é ofensivo para quem tem preconceito”. E é aí o discurso da moça começou a se complicar: “Mas eu não sou preconceituosa, tenho até muitos amigos gays, e não acho que sejam doentes, eu sei que é normal …. blá, blá, blá…”, quando o médico me chamou me dando a chance de pular da cadeira aliviada e divertida, interrompendo a discussão e deixando-a ruminando as contradições de suas escolhas. Mas o mais importante foi a revisão de valores e o debate público, que o beijo gay da Fernandona tinha causado. Estrago delicioso na calmaria conservadora dos fieis seguidores de novelas – um de nossos produtos de exportação mais importantes.

A força simbólica de Fernanda Montenegro e seu estrondoso beijo, deu ênfase a esse movimento de ‘basta’ que se faz sentir em várias frentes de manifestações sobre o assunto, como as vaias, beijaços gays e outras pressões contrárias ao Presidente da Câmara (Eduardo Cunha), avesso às novas formas de associações de gênero, de afetividade e de organizações familiares, seguindo orientações do segmento evangélico que, com maior ousadia, tenta dominar o legislativo brasileiro, bloqueando leis que protejam mais brasileiro, propondo outras leis que excluam ou cerceiem direitos a diferentes formas de existência humana.

Para reforçar esse debate, acaba de abrir no dia 30 de março, na sede da Prefeitura do centrão de São Paulo, no Viaduto do Chá, número 15, exposição de fotos de ‘famosos’ posando contra essa situação cristalizada que merece ser revista e confrontada. Com a anuência de figuras como Vera Holtz, Alexandre Borges, Fabio Porchat, Marilia Gabriela, Deborah Secco, Arnaldo Jabor e tantos outros, a exposição ficará no centro até dia 9 de abril, quando será transferida para o hall de entrada do Conjunto Nacional na Avenida Paulista, 2073, até o final de abril. O nome da exposição será: “50 Vozes contra a Homofobia”.

Quem sabe se as tantas chacoalhas na atualidade não permitam que mais e mais brasileiros possam sair de seus armários e dar livre curso a seus desejos sem que sejam tratados por absurdos?

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