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PROVOCAÇÕES – Desejo e Pecado em exposição na galeria!

Envoltos pelo desejo somos impulsionados pela visão das provocações. Freud percebeu que somos seres divididos pelas pulsões: do Amor e de Morte. Eros e Thanatos. Animais, nos civilizamos, mas o esforço é inglório. Bem que tentamos, mas tudo nos provoca, tudo conecta, tudo lembra …. e disfarçamos. A visão hipnotiza, liga, associa e os excessos nos levam aos desejos excessivos, luxuriantes, brilhantes, borbulhantes. A contenção é fundamental, o verniz civilizatório é fundamental.  mas o preço é sempre alto.

Um dos maiores freudianos, Herbert Marcuse em Eros e Civilização, comenta a importância dos interditos. Se tudo fosse permitido – transar quando se quer, da maneira que se quiser, matar também estaria com amarras soltas. Seríamos uma espécie em extinção logo no nascedouro, há trinta e cinco mil anos atrás, quando começamos a descer das árvores. Para um convívio o pacto seria fundamental: sexo com regras, morte com regras. Mas ambos continuam sendo ansiados. A Civilização impediu nossa extinção, mas é só verniz!  Ânsia pelo prazer e ânsia por destruir desafetos, seguem na pauta dos dias. De cada um de nossos dias. 

2. Papel de parede-Patrizio de Massimo - Italiano. Vaso murano - Liliana Moro - italilana. Desenho sobre papelão - Solange Pessoa - mineira

2. Papel de parede-Patrizio de Massimo – Italiano. Vaso murano – Liliana Moro – italilana. Desenho sobre papelão – Solange Pessoa – mineira.

Neste mês a Galeria Mendes Wood DM na Rua da Consolação (as coincidências são sempre irônicas) instalou uma exposição onde o desejo e o pecado são expostos como uma predição, uma profecia, um alerta. PREDICTION reuniu trinta artistas para comentar nossas pulsões e interdições. Com curadoria de Milovan Farronato, um transgênero italiano que gosta de jogar com o peso religioso da vizinhança de seu país com o Vaticano e a interferência nas questões de sexo e pecado, a exposição propõe o debate potente onde sonhos e pesadelos, ainda pagam riscos sobre regras que se fazem anti-naturais, tirânicas – tanto religiosas como as tentativas de controle de Estado. Enquanto circulamos por esta mostra, as questões se misturam às surpresas de um lado, e alertas de outro.

3. Milovan Ferronato curador

3. Milovan Ferronato curador

Partindo da ideia de um sonho erótico com Marilyn Monroe e sua voz de “recém acordada”, Ferronato se convence da inevitabilidade da vibração do corpo. E todos os cantos, as alusões, insinuações e constrangimentos que uma cultura forjada pelas tentativas de controle sobre os desejos do corpo, torna o percurso das salas da galeria, um mergulho na genealogia do sexo!

4. Instalação - Prem Sahib - inglês

4. Instalação – Prem Sahib – inglês

Da entrada já antevemos uma cama de casal recoberta por um edredon desfigurado por uso indicativo. Vemos pipocas espalhadas, objetos pessoais e até um celular esquecido depois de muita farra. Mas todo esse calor se espoja numa laje fria azulejada negra como uma lápide: Eros e Thanatos. Pulsão e Interdito. Sexo e Castigo. Por todo o trajeto o diálogo entre os opostos se colocam em diálogo sutil e surpreendente. Com tantos atores dialogando um texto tão humano, fazem da exposição uma experiência onde a dúvida, o suspiro e o humor, se instalem em suas salas.

Pátios, engenhocas, fotos de corpos da década de cinquenta com uma sensualidade anacrônica, fora de moda…. lembram  que o tesão tem moda, tem constructo, tem curadoria, mas segue sendo insolente e desfrutável, pois o jogo do querer se desdobra em muitas linguagens como  os carimbos de mãozinhas na parede em rodinhas tão orgânicas que vemos as linhas da menina, do menino, e nos damos conta que eles revestiram, com seus carimbinhos divertidos, uma parede associada à pedofilia (!) Surpresa, horror, silêncios proibidos. E rimos pelo não crime em nós mesmos, talvez no outro, naquele que ousou se excitar com as mãozinhas tão macias, pequenas e indefesas fazendo rodinhas pelas paredes, enquanto se ouve bossa nova, novamente o presente e o passado, num jogo perigoso que nos faz rir, nervosos.

5. Papel de parede - Philip Wiegard - alemão

5. Papel de parede – Philip Wiegard – alemão

Nas salas onde estaremos compartilhando embaraços com o público, então o humor vira personagem, e é quando percebemos que Civilizados, entre a Pulsão e o Interdito, construímos o Humor, e através dele, podemos usufruir nossos próprios jogos imaginativos erotizados. Sorte nossa. Contornando Torsos magníficos, Lunetas de espionar incautos se despindo frente às janelas, um enorme macaco atravessando o salão do teto ao solo com suas entranhas, mãos e pelos num universo tátil que nos libera ao sensorial que já conhecemos…. de criança. E também passa por essa memória infantil o gosto pelo sentir sem medo. Sem pecado, sem culpa. Todos reunidos…. sorteando nossa atenção, mais aqui, menos adiante em juízo de valor estético e não moral, numa suspensão de alívio e divertida. Sem os interditos e culpas das religiões, que se empenham em controlar e negar o prazer dos corpos.

6. Instalação - Cibele Cavalli Bastos

6. Instalação – Cibele Cavalli Bastos

E para os que aproveitarem a ótima exposição de PREDICTION ainda conhecerão a obra de Cibele Cavalli Bastos, brasileira que, em debate direto com a exposição principal, fala de suas intimidades femininas num desdobrar nada tímido desse universo recoberto por laços, rendas, espumas e genitálias.

 

Gláucia de Castro Pimentel – http://www.zupi.com.br/provocacoes-exposicao-dos-desejos-libertos/

Serviço:

Galeria Mendes Wood DM – Rua da Consolação, 3358 // 3081-1735

De segunda a sábado – das 10 às 19h – Até 06 de agosto

Agradecimentos a Matheus Yehudi

Leia também pela Revista Zupi de Artes: http://www.zupi.com.br/provocacoes-exposicao-dos-desejos-libertos/

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